Sobre viver. Sobreviver

O que é viver?

Gonzaguinha diz que o sentido da vida é o que todos procuram. E que ninguém acha. Seus versos são perfeitos. E, no fim das contas, ficamos apenas com a pureza da resposta das crianças.

Empresários se frustram ao final de suas “vidas” e sempre dizem se arrepender de não ter tido tempo para estar com suas famílias.

Aristóteles, Clarice Lispector, Chaplin, Bob Marley, Pedro Bial e cada um de nós, seja num bar, num livro ou num momento introspectivo, já refletiram sobre a vida. Certamente muito melhor do que eu o faria.

Eduardo Marinho, pra mim numa das definições mais incríveis, diz que viver é, sobretudo, receber afeto. Quer venha de seus filhos, quer venha de seus amigos, quer venha de seus amores, quer venha de seus cães.

Viver, por mais complexo que seja, é tão simples quanto Eduardo definiu: é receber afeto.

Uma pena que tantas paredes de escritórios e das almas impossibilitem as pessoas de perceberem isso. Pobres mentes, que ainda chamam de imaturas quem já percebeu o valor do afeto.

Mas minha reflexão, hoje, não é sobre viver, é sobreviver.

Toda segunda, quarta e quinta dou aulas à noite. Bem distante de minha casa. Na volta, pego um metrô até Botafogo e, dali, um ônibus para Niterói.

E tenho percebido nesses dias é que ali estão, cotidianamente, moradores de rua. Como em todo o estado do Rio a crise se agrava, os pedintes, aumentam. E vão formando seus vínculos. Amizades, conversas, amigos de 4 patas, novas relações sociais. Ali, a 5 metros do ponto de ônibus, por onde um fluxo significativo de pessoas passa.

Muitos, vão pelo outro lado quando se deparam com aqueles mulatos e mulatas que não se diferenciam muito das mulatas de Di Cavalcanti, a não ser pelo fato de alguns estarem, talvez, alterados pelo efeito da pedra.

Na primeira vez que os vi ali, um misto de estranhamento e preconceito me fizeram ter medo. Mas passei por perto deles, sem nenhum problema. E assim já foram umas 10 passagens por ali. Meu coração cortado de tristeza. Das lágrimas que eu segurava no peito, algumas escorreram. Algumas das vezes em que passei por ali eu até mesmo implorei pra que alguém viesse me pedir ajuda. Ninguém nunca me abordou.

Hoje, ao passar por ali, notava a população ainda maior. Nunca vi alguém parar por ali, seja para dar dinheiro, seja para bater um papo. Nem sei se o pessoal do RIO invisível já passou por ali.

Hoje me esqueci das aulas que eu precisava preparar e pensei que certamente estariam passando fome. Entrei no Burger King, bem próximo, e me deparei com uma promoção: 2 hamburgueres por 15 reais. Comprei 6. Pedi para não colocarem picles. Comi um, embalei 5 para viagem.

Levei para eles. Um garotinho falou que sempre quis daquele sanduíche, que parecia saboroso. Os corpos, em polvorosa, clamavam por comida. Sugerindo calma, entreguei toda a comida a um senhor, um pouco mais idoso, e pedi que distribuísse. Vi ali sorrisos, desespero, felicidade, gratidão, espanto. Um rapaz quis apertar minhas mãos. Não neguei, mas saí dali à procura de um banheiro ou um álcool gel.

Sempre passava por ali com o coração doído. Hoje, recebi de estranhos, afeto. Saí dali com o coração partido por ver seres humanos numa situação que pode ser qualquer coisa, menos humana. Saber que ali existem tantas vivências, sonhos, alegrias, frustrações, que desconheço. Que, se estão ali, não é apenas fruto de decisões unilaterais de um monte de “vagabundos” que não querem nada na vida. Enxergava, em cada um deles, Cristo, Maomé, Buda.

Nessas horas, sinto uma forte sensação de raiva. Dos políticos. Da sociedade que grita contra cotas, contra o Bolsa Família. Raiva de quem grita Bolsomito, de quem defende o absurdo que foi feito na Cracolândia. Das pessoas que não têm a menor capacidade de praticar empatia quando teriam todas as condições para isso.

Meus amigos, não sei se vocês estarão ali na segunda. Não sei se vocês estarão aqui, fisicamente e metafisicamente falando, na semana que vem. Acho que vocês já não são mais parte da nossa sociedade, sob a ótica dos direitos, há algum tempo. Mas vocês estarão, certamente, no meu coração, em mais este momento que guardarei com muito carinho. Nosso convívio foi pouco, mas certamente vocês já tocaram a minha alma. Paz e bem!

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Lua

lua
Tentando fotografar essa linda lua de sábado (mas foto de celular nunca sai boa) e essas estrelas que agora enxergo dos fundos de minha casa. Os astros do universo, pra mim, são o maior indicativo de entrelaço no mundo. Porque, primeiro, representam a nossa conexão com Deus e de Deus conosco. Mesmo quem não crê que Deus existe reconhece que tamanha grandiosidade não pode ter outra origem senão divina, e Deus sabe que não há maneira mais simples para demonstrar a nós seu amor. Porque esta linguagem é universal: independente de religião e de onde se esteja, ali Deus aparece para judeus, cristãos, budistas, espíritas, muçulmanos, ateus e admiradores de Espinoza.
Segundo, porque representa uma das coisas mais incríveis da vida, que é essa confusão entre passado, presente e futuro, cujas sensações tanto se misturam no dia a dia. Pensar que a luz que vemos hoje pode ter sido emitida há milhares de anos, que pessoas queridas da infância viraram “estrelinhas” lá no céu, que um dia o homem poderá viajar até lá, que o que lá ocorre agora é desconhecido e só veremos “a luz” disso daqui a alguns anos (ou talvez nunca vejamos).
Terceiro, porque estas luzes, neste exato momento, estão sendo avistadas por gente de todo o mundo. E esse encanto coincidente nada mais é que mentes e almas interligadas, mesmo que nunca tenham tido contato. Amizades, projetos para acabar com a fome na África, amores desencontrados, futuros líderes mundiais que um dia poderão guerrear ou assinar a paz mundial, doadores brasileiros de medula óssea, seus receptores filipinos, boas conversas, negros e brancos, pessoas que perderam entes queridos, crianças curiosas que avistam o céu pela primeira vez, mamães que acabam de descobrir que receberam esta missão.
Tantos dramas, tantas felicidades, tantos sentimentos, de quem agora olha para o céu. Talvez esta seja minha maior admiração pelo Universo: anula quaisquer dimensões ou diferenças de espaço-tempo. É o que não pode ser mais nada senão divino conectando o que não é nada mais nada menos que, apenas, humano.

 

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Que comecem os jogos!!!

rio2016

Enfim, chegou! Muita gente vibrou, muito mais gente chiou. Entre empolgados e reclamões, salvam-se todos. As Olimpíadas estão aí. Talvez a maior contribuição grega para a cultura mundial depois da filosofia. A pira olímpica, após atravessar o país recheada de polêmicas, chegou ao estado do Rio. E também vêm chegando atletas de todo o mundo. Agora, não há mais diferenças de religião, cor, classe social ou aquelas simplesmente delimitadas por linhas imaginárias na superfície terrestre (enquanto Trump não constrói seu muro). Serão atletas, do mundo inteiro, diferentes em origem, patrocínio, biotipo, esportes, pretensões, sonhos, idades, tudo mais. Um evento que funciona como uma ponte, num mundo onde só muros têm sido construídos.

Todos reclamamos. Eu, você, o amigo em comum, o desconhecido. O legado poderia ser maior. Também tive vontade de apagar a tocha, mas me render ao discurso fácil, neste momento, seria errado. O Rio, que abriu sua “década no Centro do Mundo” com os singelos Jogos Panamericanos, sediou também a Rio+20, a JMJ e a Copa do Mundo, encerrando este ciclo com as faustosas Olimpíadas.

Estive hoje pela manhã no aeroporto e dei um pulinho ali do lado para acompanhar a chegada de alguns atletas. Poucos chegaram naquele tempo, mas minha empolgação deixou claro para mim mesmo que já estou no “clima olímpico”.

Ao mesmo tempo, nunca se viu o terror tão forte no mundo, e com ele alguns lobos solitários de formação e religião desconhecidas. E isso, também, acaba coincidindo com o evento justamente por aqui.

E, como acho que vai ser? Vamos repetir a Copa! Lembram-se de que na Copa achávamos que o Brasil seria um sucesso nos campos, e um fracasso fora deles, e que no final das contas erramos nas duas previsões? Então, já vejo profetas do caos dizendo que, nas Olimpíadas, seremos um fracasso nas quadras, e outro fracasso fora delas. Sabem o que acho? Erraremos nas duas previsões, de novo. Seremos um sucesso nas quadras. E um sucesso fora delas. Por quê? Explico nas linhas a seguir…

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Intercâmbio acadêmico

Imagem: O Globo

Imagem: O Globo

Fui criado numa cidade pequena , por uma família relativamente conservadora. Talvez não tanto, uma vez que eu e meus primos saímos ainda novos para estudar fora. Ou seja, meus tios não criaram seus filhos para si, e sim para o mundo, ao contrário do que se pode ver em outras cidades pequenas  por aí. Por outro lado, bastante conservadora, ao ponto de parte de seus membros (não os meus pais) defenderem uma série de ideias tipicamente conservadoras, como “bandido bom é bandido morto”. Uma família conservadora, mas, ao mesmo tempo, de bom coração. Nunca esbanjamos, muito do que tínhamos era doado, sempre nos preocupamos muito com a causa dos mais pobres.

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Por que Dilma caiu? Marx estava certo!

OBS: recomendo que cliquem nas imagens para enxergá-las com maior qualidademarx

Certamente todos nós já passamos por aqueles momentos em que “a ficha demora para cair”. Assim me sinto com a votação do afastamento de Dilma, no Senado. Dilma caiu. Há muitas explicações razoáveis para sua queda: inabilidade política da presidenta, casos de corrupção, agravamento da crise econômica, esgotamento do ganha-ganha do modelo lulo-petista, síndrome de mau perdedor que assolou a oposição, lobbies de petroleiras internacionais, entre outros.

Enfim, a queda de Dilma tem infinitas variáveis. Mas, pode ser analisada, também, sob o ponto de vista da Economia. Neste sentido, cabe analisar o governo Dilma sob uma perspectiva marxista, analisando-se a renda do capital e do trabalho nos últimos anos e o quanto isso desencadeou a luta de classes que se exacerba na sociedade.

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Impeachment do processo civilizatório

(por Eduardo Fagnani*, para a Le Monde Diplomatique)

*professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit – Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho.

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O objetivo de construir uma sociedade civilizada, democrática e socialmente justa deveria ser um dos núcleos de um projeto nacional. A Constituição de 1988 representa um marco do processo civilizatório do país. Pela primeira vez em mais de cinco séculos, ela assegurou formalmente a cidadania plena (direitos civis, políticos e sociais) para todos os brasileiros. O novo ciclo democrático inaugurado por ela, associado aos avanços sociais obtidos na década passada, contribuiu para a melhoria do padrão de vida da população, especialmente dos mais pobres.

Não obstante, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Essa marca tem raízes históricas ditadas pela industrialização tardia, pela curta e descontinuada experiência democrática e, especialmente, pelo longo passado escravocrata, cujo legado foi uma massa de analfabetos sem cidadania. Em pleno século XXI, o país ainda não foi capaz sequer de enfrentar desigualdades históricas herdadas de mais de três séculos de escravidão. Observe-se que, segundo estudo da ONU, a pobreza no Brasil tem cor: mais de 70% das pessoas vivendo em extrema pobreza no país são negras; 64% delas não completam a educação básica; 80% dos analfabetos brasileiros são negros; os salários médios dos negros são 2,4 vezes mais baixos que o dos brancos. No Rio de Janeiro, 80% das vítimas de homicídios resultantes de intervenções policiais são negras. A taxa de assassinatos de mulheres também tem clara dimensão racial. Entre 2003 e 2013, o assassinato de mulheres brancas caiu 10%; no mesmo período, o de negras subiu 54%.(1)

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O retorno de Jesus

Old City from the Mount of the Olives

Seja pela sua fé, pela história, pelos círculos sociais em que vivemos, poucos não sabem que as escrituras pregam o retorno de Jesus Cristo ao mundo. OK, pode ser que seguidores do Islã ou de religiões orientais não tenham conhecimento, mas também não acho que eles me leem. Certamente os cristãos por vezes se questionam: “quando é que Cristo volta?”. Ao analisarmos a questão do tempo, pode ser que demore: cientistas não têm certeza sobre quando surgiu o universo, mas parece existir um consenso de que este tem uma idade entre 10 e 20 bilhões de anos. A Terra, estima-se, teria aproximadamente 4,5 bilhões de anos. A partir destas informações, notamos que Jesus “veio ontem”. No entanto, quando comparamos com a história da humanidade (algo entre 5 mil e 12 mil anos), Jesus já veio há algum tempo.

Com as redes sociais e a informação “a um clique”, o mundo atual diferencia-se muito daquele dos tempos de Cristo. Boas ou ruins, as informações estão disponíveis. Dúvidas podem ser rapidamente sanadas por meio de uma consulta no Google. Pessoas se automedicam, tanto com remédios como psicologicamente. Grupos terroristas se espalham. Boatos (e verdades) se espalham rapidamente. Tudo nos chega, e muitas vezes as informações não são filtradas.

Alguns aprenderam as lições de Cristo: hoje nos solidarizamos mais com a questão dos refugiados, com a questão da África, somos mais tolerantes em relação ao diferente, buscamos uma vida mais ecológica e menos dependente do dinheiro. Por outro lado, muitos parecem não ter aprendido nada. Refugiados, imigrantes, negros, praticantes de religiões diferentes, homossexuais, pobres, não recebem dos seres humanos o amor que Jesus nos ensinou a dar. O discurso religioso, inclusive, é usado para legitimar o mal e o ódio.

Como dizem as escrituras, Jesus voltará algum dia. E se fosse hoje? Vejamos como seria.

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O golpismo de ontem e de hoje

(por Jessé Souza*, para a Le Monde Diplomatique)

*Professor titular de Ciência Política da UFF e presidente do Ipea. Autor de A tolice da inteligência brasileira, recentemente lançado pela Leya. Este artigo é uma versão atualizada e modificada do último capítulo dessa obra.

golpismo

Essa história tem larga tradição entre nós. Ela funciona do mesmo modo desde o começo do século XX – quando o Brasil começou a se transformar em sociedade urbana e industrial – e reúne os mesmos elementos: imprensa conservadora, setores moralistas da classe média e interventores da ordem constitucional

Durante todo o ano de 2015, o segundo mandato da presidenta Dilma foi marcado por intenso ataque, seja da mídia, seja do Congresso Nacional, e de suas chamadas “pautas bomba”. A presidenta eleita foi posta na defensiva e ameaçada por diversos pedidos de impeachment, além de ter sido pressionada para renunciar desde o início de seu segundo mandato. É que ela, no auge de sua popularidade, ao contrário da estratégia de conciliação de interesses contrários do presidente Lula, ousou se opor aos interesses do capital especulativo brasileiro. A intenção era parar a drenagem de recursos do excedente social de todos para o bolso da meia dúzia que controla a economia, a política e a mídia entre nós, e encaminhá-los para o setor produtivo. A estratégia não só foi sabotada pela elite, como a cobrança da fatura pela ousadia está vindo agora.

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O PT foi mesmo uma tragédia na Economia?

O que mais se ouve por aí é que os governos Dilma e Lula foram uma tragédia do ponto de vista econômico, que a crise econômica atual se deveu à “gastança” do PT e “muitas” decisões erradas até 2014, que o Brasil encontrava-se muito endividado, que o “rombo” nas contas públicas era inédito, que a inflação nunca esteve tão descontrolada, que todos os nossos indicadores econômicos estavam ruins.

O diagnóstico transmitido pelo discurso diário na grande mídia, com pouco ou nenhum espaço para o contraditório, insere na cabeça das pessoas o discurso único, que culpa o keynesianismo e o desenvolvimentismo como os culpados pela crise atual, sem levar em conta que o PT, por mais que em muito tenha seguido as “cartilhas” da heterodoxia, nunca as implementou integralmente.

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Categoria(s): Economia, Escrito por Matheus

A equipe do pré-sal e o Brasil hoje

Entrevista com Guilherme Estrella, que chefiou, de 2003 a 2012, a equipe que descobriu o pré-sal, para o Estadão

Guilherme Estrella (Fonte: Petrobras – Fatos e Dados)

RIO – Após o Senado aprovar o fim da exclusividade da Petrobrás na liderança do pré-sal, o ex-diretor de Exploração e Produção da petroleira, Guilherme Estrella, que chefiou, de 2003 a 2012, a equipe que descobriu o pré-sal, disse em entrevista ao Estado torcer pelo veto da presidente Dilma Rousseff ao novo marco legal, que acaba com a obrigatoriedade de a estatal participar de todos os blocos do pré-sal. Para o geólogo que ingressou na estatal ainda monopolista de 1965, as multinacionais “só querem ficar com o filé mignon”. Disse ainda que “não pode uma empresa petrolífera ser gerenciada como um banco”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O País deve o pré-sal à Petrobrás?

Não digo que deva à Petrobrás. A empresa cumpriu sua missão. Essa grande transformação do Brasil num país independente, com autonomia em energia, fertilizantes e petroquímicos foi o trabalho dos últimos 15 anos. O pessoal (funcionários) está de cabeça baixa (por causa das denúncias de corrupção). Vamos separar as coisas. Fizemos um grande trabalho. Aliás, eu vim aqui dizer isso.

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Novo? Não sinto credibilidade

Quando às vezes me pego pensando pra onde vai a política brasileira, tem algo me assusta tanto quanto o Bolsonaro bem cotado. Com direito a um nome que se pretende descolado: Partido Novo.

Comumente divulgado por alguns amigos, o Partido Novo tem, entre seus fundadores, engenheiros, médicos, advogados e administradores.

OBS:
Nenhum cientista político;
Nenhum sociólogo;
Nenhum especialista em políticas públicas;
Nenhum economista de viés desenvolvimentista;
Nenhum técnico/especialista em saúde pública.

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Dados: porte de armas e desigualdade têm relação direta com a violência

dados

Vamos esclarecer algumas coisas: é óbvio que a estatística é cruel. Se a estatística diz que nos países com renda mais bem distribuída a violência é menor, mas você mora na Islândia e perdeu seu único filho por assassinato, a estatística foi cruel contigo.

Essa mesma explicação vale para os “exemplos de pessoas que mesmo órfãs e sem ter onde morar viraram funcionários públicos, médicos, engenheiros ou cientistas sociais”. São exemplos admiráveis e louváveis. Mas são raros e não é meu intuito me aprofundar nessa questão.

Mas a estatística, quando analisa todo um país ou local em específico, é inquestionável. E aí está o cerne da questão: a pessoa pode ter posicionamento político, religioso ou econômico diferente do outro. Mas ela não pode questionar os dados, que muitas vezes são usados como argumentos para uma série de questões.

Com os inaceitáveis casos de mortes recentes, no Rio e em São Paulo, os arrastões cariocas, as chacinas paulistas, dentre outros, a discussão ganha ainda mais relevância. Não que roubar seja certo ou que as pessoas que cometeram os delitos sejam santas, mas que tal se nos perguntássemos: por que existe a violência? Os dados oficiais dos gráficos que estou postando explicam um pouco disso:

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Aviso

Amigos, estou aproveitando este mês de Janeiro para matar as saudades da família, viajar um pouco, ler e ocupar meu tempo com outras formas de lazer. Retornarei com as publicações em meados de fevereiro.

19 de janeiro de 2016 · 11:56

Rótulos

rotulo

Fiz ótimos amigos na UFF. Divergências à parte, formamos um grupo bastante unido. Sempre nos reunimos em aniversários, datas comemorativas, happy hours e no final de ano, quando participamos de um amigo oculto.

Eu nunca gostei muito de escolher os presentes que queria receber. Mas dessa vez acabei optando por listar uma série de livros que me interessavam. Ganhei de presente o livro “O Estado Empreendedor”, de Mariana Mazzucato. Logo começaram as provocações: “seu comunista” foi a principal delas. Rótulos, sempre eles. E essa mania que as pessoas têm, de imaginar que eventuais características de um grupo são inerentes a todos seus participantes.

Todos já generalizamos. E erramos.

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Categoria(s): Escrito por Matheus, Estilo de Vida, Política

O setor privado

(por Guilherme Santos Mello*, em sua página do Facebook)

Professor do Instituto de Economia da Unicamp e da Facamp

Fonte: IP3

Fonte: IP3 (A TetraTech Company)

 “Dizem que o Brasil está vivendo uma crise política e “moral”. Para alguns, uma crise decorrente da forma que o PT decidiu governar o país, na base da corrupção e do toma-lá-dá-cá. Por que isso não existia antes, foi uma decisão do PT corromper o Estado Brasileiro e fazer com que político, empresários e banqueiros virassem bandidos.

O mais curioso, no entanto, é que tem mais empresário, advogado, banqueiro, consultor, etc… do que político envolvido na história. Os principais empreiteiros do país estão na cadeia. Um dos principais banqueiros do país está na cadeia. As principais empresas automobilísticas instaladas no país estão sendo investigadas suspeitas de corrupção (na Zelotes). A principal mineradora do país está envolvida em um crime de proporções bíblicas, provavelmente ligado a corrupção. Os principais bancos e a principal empresa de comunicação do país está sendo investigada por sonegação fiscal e compra de acordos no CARF. Bancos e fundos de investimento são suspeitos de manipulação criminosa da taxa de câmbio, fato já visto ao redor do mundo.

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Um guia para leigos (parte 2): Eduardo Cunha

eduardocunha

Dando continuidade à proposta do último texto (Um gua para leigos – parte 1), pretendo tentar trazer para vocês as raízes históricas e políticas de nosso país que culminaram na chegada de Eduardo Cunha à presidência da Câmara. De antemão, peço desculpas aos amigos historiadores por eventuais erros e omissões.

Para que se compreenda qualquer contexto num cenário mundial, seria necessário voltar alguns anos na história. Poderia analisar a partir da chegada da Corte de Portugal ao Brasil, a partir da Velha República ou a partir da Era Vargas, mas começarei a análise a partir dos tempos da ditadura militar. No contexto mundial, deixarei meus interlocutores situados sobre alguns aspectos do cristianismo no mundo.

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Um guia para leigos (parte 1): PT e PSDB

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As opiniões políticas que emito neste espaço, geralmente, acabam sendo lidas por pessoas com uma orientação política mais próxima à minha (que costumam seguir meu blog), assim como as publicações no Face são “filtradas” de acordo com o que cada um está acostumado a ler/curtir. Neste momento, no entanto, pretendo tentar trazer para vocês as raízes histórico-políticas de nosso país que culminaram na chegada de PT e PSDB ao poder e na rivalidade entre os dois partidos. De antemão, peço desculpas aos amigos historiadores por eventuais erros e omissões.

Para que se compreenda qualquer contexto num cenário mundial, seria necessário voltar alguns anos na história. Poderia analisar a partir da chegada da Corte de Portugal ao Brasil, a partir da Velha República ou a partir da Era Vargas, mas começarei a análise a partir dos tempos da ditadura militar…

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Verdades e mentiras sobre a Previdência Social

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A Seguridade Social, conquista adquirida com a Constituição de 88, abrange não só a Previdência mas também a Saúde Pública e a Assistência Social, e tem por intuito alcançar uma sociedade livre, justa e solidária, por meio de sistemas como o SUS, SUAS, Susan e FAT.

Um dos dos principais questionamentos em relação à Seguridade Social é que esta seria cara demais, sobretudo por conta da Previdência. De fato, quando se pensa que é muito comum que diversos contribuintes trabalhem por aproximadamente 30 anos, recolhendo 11% de seus salários para o INSS, e que uma quantidade significativa vive por mais aproximadamente 20 anos após a aposentadoria, não é infundada a análise de que a conta, se não fecha hoje, tende a não fechar no futuro, uma vez que o Brasil vem passando por uma transição demográfica caracterizada pelo envelhecimento da população.

Um dos pontos mais recorrentes na grande mídia é a discussão acerca do “déficit da previdência”: afirma-se que, hoje, o orçamento previdenciário estaria negativo, ou seja, os gastos da previdência superariam as receitas. Não se comenta, no entanto, a incompletude deste argumento.

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O debate pela esquerda e pela direita: o que é mais relevante?

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A discussão política muitas vezes se prende apenas ao debate entre os que defendem o seu ponto de vista com orientação mais à direita e os que o defendem com uma orientação mais à esquerda. O mais comum de se ouvir, nos dias atuais, são as ofensas de um lado ao outro (e vice-versa).

Outras vezes, no entanto, uma mesma pauta é criticada por ambos os “lados”, com argumentos diferentes. E talvez esta seja uma das melhores maneiras de analisar as distintas correntes e assumir um posicionamento baseado na razão, e não na emoção e no “efeito papagaio”.

Como sabemos, o governo adota medidas de ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas. Entre estas medidas, a correção de algumas distorções no seguro-desemprego/pensão e, o pior de tudo, cortes no orçamento, inclusive em setores fundamentais como educação e saúde. É consensual que havia a necessidade de alguns ajustes, mas os cortes já afetam negativamente o desempenho econômico e apenas os petistas conseguem defendê-los no momento.

Há poucas críticas sobre a real necessidade do ajuste em tempos de crise e de queda dos preços das commodities. As críticas que surgem referem-se à maneira como o ajuste tem sido feito. Pela “direita”, defende-se que o grande problema do binômio arrecadação-gastos é o inchaço da máquina pública brasileira e que a solução se daria por meio da redução de ministérios e cargos comissionados. Pela “esquerda”, defende-se que a estrutura tributária brasileira é desigual e que os gastos devem ser mantidos por meio do aumento da arrecadação através de impostos sobre patrimônio, renda e mercados financeiros.

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As óticas por trás da desindustrialização brasileira

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A discussão sobre livros, filmes e músicas se difere bastante da discussão de temas econômicos. Você pode gostar ou não de um filme. Você pode gostar de ouvir rock ou sertanejo. Pode gostar de um ritmo e desgostar de outro. Um roqueiro pode não querer se informar melhor sobre as origens do sertanejo. Um pagodeiro pode não querer discutir quem foi o melhor baterista de todos os tempos.

O debate econômico, por outro lado, é pautado por duas correntes bastantes distintas (e suas variações), ambas com a contribuição de importantes figuras, muitos laureados com o Prêmio Nobel. É fundamental compreender que existem duas correntes opostas e que, por isso, em economia não existe “certo” ou “errado”. De um lado, a corrente clássica e suas vertentes monetaristas e neoliberais. Do outro, o keynesianismo e as vertentes desenvolvimentista e do bem-estar social.

Nas últimas eleições, um dos pontos levantados (corretamente) pelo candidato Aécio Neves foi a desindustrialização do Brasil. Naquele momento, levantei neste espaço alguns de meus questionamentos ao então candidato. Há um consenso de que uma economia industrializada tem maior produtividade e empregos com melhores salários, contribuindo melhor para o crescimento do país. Andei lendo bastante sobre a situação e decidi escrever este texto.

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Categoria(s): Economia, Escrito por Matheus

O Rio (de contrastes) no centro do mundo

rio centro mundo

Cristo Redentor, durante a final da Copa do Mundo

Olimpíadas, Copa do Mundo, Copa das Confederações, Jogos Panamericanos, Jornada Mundial da Juventude, Rio+20, TED, Fórum dos BRICS, Prêmio Laureus do esporte. O que estes eventos têm em comum? Nos 10 anos compreendidos entre 2007 e 2016, são eventos que foram, parcial ou integralmente, sediados pelo Rio de Janeiro.

O Rio sempre foi marcado pelos contrastes. Não, não vou cair no lugar comum e comparar as favelas, com saneamento básico e serviços públicos deficientes, aos luxuosíssimos edifícios de Ipanema, Leblon e Lagoa… até porque, com a melhor distribuição de renda no país, a pobreza extrema acaba amenizada, o que é bom… Tampouco vou discutir sobre as alegrias e preocupações dos cariocas, nem sobre os “branquelos” gringos que vêm pra cá e se apaixonam pelas nossas “mulatas”.

Não há dúvidas de que o Rio é hoje a metrópole em maior evidência global. Este texto se propõe a analisar as externalidades positivas e negativas capturadas pela cidade na década 2007-2016.

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As vantagens da política de “campeões nacionais” do BNDES

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“Se o escândalo na Petrobras é grave, imagina quando resolverem investigar o BNDES”. Essa é uma das frases de senso comum mais repetidas ultimamente pelos “papagaios de plantão”. Algumas críticas são feitas pela oposição à gestão do banco. As duas principais englobam os acordos com outros países latino-americanos (como Cuba e Venezuela) e a política de formação de grandes empresas globais de capital nacional, ou política de “campeões nacionais”, adotada pelo banco entre 2007 e 2013.

É sobre a segunda que desejo falar. Muito se argumenta que foi uma política que privilegiou poucas empresas e concentrou mercados. Não são argumentos infundados. Mas as operações são justificáveis, como discutiremos.

Entre as empresas que receberam recursos quando iniciou-se o processo de financiamento a grandes players globais, pode-se destacar Friboi e Brasil Foods (proteína animal), Ambev (bebidas), Fibria (celulose e papel).

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Por que a terceirização de atividades-fim não é boa nem para as empresas? E por que elas, mesmo assim, continuam a realizá-la?

Este espaço é aberto à contribuição de outras pessoas. O texto a seguir é de autoria de meu amigo Gustavo Barreto, engenheiro de Telecomunicações e Mestre em Engenharia de Produção na área de Trabalho.

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Esse texto busca abordar a terceirização da atividade-fim pelo ponto de vista empresarial. Certamente os efeitos negativos aos trabalhadores são muito mais importantes do que os sentidos pelas corporações, essa abordagem só foi usada pela existência de vários ótimos textos na internet abordando as más consequências aos empregados pela aprovação da lei, como este, do professor Ricardo Antunes, e o do professor Ruy Braga.

Uma pergunta sempre me vem à cabeça quando o assunto é terceirização de atividades-fim: porque uma empresa contrataria uma terceirizada para realizar melhor um serviço que é a atividade para qual essa empresa existe? Por exemplo, pra que a Coca-Cola vai terceirizar a produção de refrigerante, para uma empresa que faça refrigerantes melhor do que ela? Seria um atestado de incompetência sem prazo de validade definido?

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Para ouvir e refletir

Uma análise bem completa do professor Marco Aurélio Cabral Pinto sobre o momento atual global e do BRASIL, sob a ótica da soberania e independência do país, geopolítica do petróleo, ajuste fiscal e trade-off inflação/desemprego, discussão “rasa” da corrupção, “interesses globais financeiros” em 3 temas centrais:

1) Crises financeiras, guerras, interesses estratégicos, extremismo, nacionalismo e instabilidade.
2) Petróleo e sua importância geopolítica no contexto acima, Petrobras, subsidiárias e SeteBrasil, verticalização da indústria nacional e desenvolvimento tecnológico brasileiro e recursos do pré-sal.
3) Construção civil, “ataque às empreiteiras”, infraestrutura urbana e serviços públicos como mobilidade urbana, saúde e saneamento, além de integração sulamericana (inclusive porto de Mariel).
Vale ouvir cada palavra….

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Os limites da “importância” da religião

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Criança síria se rende ao confundir câmera fotográfica com uma arma

Sempre cresci ouvindo que religião é muito importante na vida de uma pessoa. Que mundo de merda (me perdoem a expressão) é esse, onde a religião acaba sendo a causa de tantos males?

A foto acima, reproduzida pela jornalista Nadia AbuShaban no Twitter, que tem repercutido nas redes sociais, é um enorme representativo dos males que a religião pode causar ao mundo, principalmente quando levada ao extremo.

Judeus de Israel massacram muçulmanos palestinos, muçulmanos de grupos extremistas massacram cristãos e yazidis. Cristãos das mais diversas ramificações digladiam-se entre si. Israel reelege Netanyahu. Cresce o “xenofobismo religioso” em países de primeiro mundo.

Sem falar em matanças históricas, como as Cruzadas e o holocausto judeu.

Quem são vocês pra ficar julgando o outro, criticando o outro, privando o outro de suas liberdades e escolhas pessoais?

Quem são vocês pra decidir sobre a VIDA do outro?

Abraão deve ficar bem triste quando vê seguidores de seus descendentes interpretando ensinamentos de maneira tão distorcida. E como diz Papa Francisco: “todas as religiões são verdadeiras porque elas são verdadeiras no coração daqueles que acreditam nelas”.

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