Cara, parques de diversão são demais

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Todo mundo tem lembranças eternas da infância. Também tenho as minhas. Ainda que eu tenha tido medos estranhos (nunca entrei num daqueles pula-pulas infláveis, fechados, por medo de morrer sufocado).

Fiz viagens inesquecíveis para Cabo Frio com a família (todo ano passávamos uns 10 dias por lá), e certamente me lembrarei destas para sempre. Mas se algo realmente me encantava (e ainda me encanta), eram os parques de diversão.

Não, não é a Disney… nem mesmo aqueles mega-parques nacionais, como o Hopi Hari e o Beto Carrero. Me refiro, na verdade, àquele parque da esquina, que chega para a festa junina do bairro ou para as exposições agropecuárias.

Você espera ansiosamente pela época da festa por causa do tal parque. E já começa a ansiedade em saber quais serão os brinquedos que eles trarão dessa vez (sim, o espaço é limitado e às vezes só surgem umas 2 ou 3 atrações mais radicais).

Óbvio, a primeira adrenalina já começa por você não saber qual será o primeiro brinquedo que vai (mesmo sabendo que vai nos outros e possivelmente repetirá alguns). E quando você vai num daqueles maiores? Tem tanta alternativa que você fica até perdido. Vira de cabeça pra baixo? Balança no barco viking? Vai na montanha-russa? Kamizake? Evolution? Ou pega uma carona no trem-fantasma?

Tem aqueles brinquedos mais calmos: minha mãe sempre foi encantada pela “sombrinha”. Era o brinquedo em que ela me acompanhava. Infelizmente tenho um sonho não realizado: virar aquela roda-gigante “estrela” de cabeça pra baixo. Andar no carrinho que bate, com a galera toda junta, é de uma simplicidade e uma alegria inexplicáveis. Fora deixar as crianças pequeninas naqueles brinquedinhos básicos. Coisa boba para nós, mas a descoberta do universo para eles…

Vamos aos brinquedos engana-trouxa? Pode ser aquele arremesso em que todo mundo quer o ursão, mas se ganha uma caixinha de estalinhos. O ursão, que era branco, está até encardido. Ou jogar aquelas argolas que nunca acham seu encaixe Ou tentar derrubar as latinhas com um  chute, coisa que ninguém consegue, todo mundo sabe que não vai conseguir.

Os brinquedos nos fazem sentir criança… Mas e o lado sociológico da coisa?

Que tal assistir as pessoas desesperadas? O filho cuja mãe aguarda desesperada pelo término do ciclo do brinquedo? Mais: que tal ouvir as “tias roceiras” falar coisas do tipo “Deus me livre”, “isso não é de Deus”, “você não vai nisso não”. Há crianças que têm medo dos brinquedos, mas eu não consigo imaginar, mesmo depois de velho, qual seja o perigo (apesar dos acidentes que de vez em quando acontecem) em simples brincadeiras de criança.

Que tal fazer um lanche? Pipoca, cachorro quente, algodão doce, mini-pizza e refrigerante são as opções. Sem essa de alimentos orgânicos, dietas veganas, muçarela de búfala ou picanha argentina. O cardápio nos remete ao melhor de nossas vidas!

Ah, ir ao parque de diversões também é um programa romântico. Posso dizer que é “de outro mundo” sentar ao lado de uma gata na barca viking! Será uma experiência muito mais inesquecível que aquelas rotineiras jantas externas de final de semana, que lhes levam o dinheiro e raramente lhes trarão lembranças no futuro.

Já andou num Crazy Dance, depois de burro velho, e gritou mais desesperadamente que aquelas crianças que você nem acredita que estejam curtindo tanto? Parque de diversões é para isso: é o lugar para se perder qualquer pudor, medo ou vergonha.

É uma pena que estes parques estejam tendendo a acabar. O nosso mundo cada vez mais precoce vai perdendo a essência da infância (que, aos poucos se despede, junto como o circo itinerante e as brincadeiras da pracinha).

Saí da cidade pequena (em que essa cultura, por vezes, ainda aparece) para estudar numa cidade grande, onde a diversão da criançada, nesse sentido, é a “mini-roda” da Galinha Pintadinha dentro de um shopping!?!? Onde o único circo “minimamente aceitável” é o de Soleil!?!?

A verdade é que precisamos de um mundo com mais parques de diversão. Ali, todos deixam a emoção transparecer. Pra ficar melhor, só precisavam bloquear o sinal da internet. Deixar todos os celulares fora do ar agregaria ainda mais à infantil experiência, que recomendo que todos tenham! Afinal… parques de diversão são demais!!!

Categoria(s): Escrito por Matheus, Estilo de Vida, Sociologia

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