Fica difícil saber

Nada sei

Nos últimos dias, Roberto Bolaños deixou o mundo. Aí surgiram pelas redes sociais algumas centenas de homenagens que me fizeram perguntar: será que todos eram, de fato, FÃS de Chaves assim? Ou foi um movimento de corrente e “necessidade de postar algo a respeito” que fez com que todos o homenageassem?

Chaves era, de fato, um seriado genial. Mas não vou analisá-lo ou homenageá-lo por 2 motivos:

1) porque muitos já o fizeram.

2) porque eu nunca tive muita paciência pras mesmas piadinhas de sempre. Sempre fui meio vidrado em informações.

Mas, vamos ao que interessa…

Eu não sei o que dizer do superávit primário, nem o que pensar dos novos ministros da Dilma…

Não sei o que pensar da nossa derrota na Copa do Mundo e do seu impacto quando nos lembrarmos do 7 a 1 no futuro.

Não sei o que penso do Brasileirão. Não sei se o Botafogo mereceu ser rebaixado nem se os times de Minas têm se destacado por causa de uma boa gestão.

Não sei se compreendo os novos estádios, cheios de cadeiras reclináveis coloridas, de torcedores limpinhos, com camisa da Abercrombie, muito orgulho e muito amor.

Não tenho opinião formada sobre os policiais, se a brutalidade deles é de sua natureza insana ou se atendem a ordens superiores.

Não sei se as origens da criminalidade são sempre a má qualidade dos serviços públicos e força bruta dos PMs, ou se já tem gente que nasce com a maldade na veia

Não entendo a importação de médicos.

Não sei se o Brasil é uma ditadura bolivariana, um estado de bem-estar social ou uma economia neoliberal.

Não sei se dou preferência aos jovens, “cabeça fresca e pensante”, ou aos velhinhos, que tanto deram pelo país e hoje sofrem ganhando uma merreca de salário depois de aposentados.

Não sei se as manifestações foram só por 20 centavos. Nem se o povo vai voltar às ruas. Nem se George Soros andou financiando os protestos.

Não sei o que pensar da PEC 33, PEC 37, PEC 99, PEC 2001, pecquepariu

Não sei o que pensar de Belo Monte e do Movimento Gota D’água. E a situação dos Guarani Kaiowá?

Não sei quais são as empresas que empregam trabalho escravo.

Interestellar foi um bom filme? Será que o cinema nacional está indo bem?

Ah, também não sei o que pensar do Facebook, do fim do Orkut, do SBT… Ah, Rubinho Barrichello foi campeão. O teria sido se corresse na F1 sem Schumacher? Não sei.

Não sei se sou esquerda ou direita, se leio Carta Capital ou Veja…

Sei o que pensar sobre as raízes da epidemia do Ebola?

Ou mais: de quem é a culpa pela crise hídrica em São Paulo? São Pedro?

Não sei o que pensar do Renan Calheiros usando avião da FAB pra ir a um casamento!

Não tenho opinião sobre Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, nem sobre o efeito das cirurgias de Andressa Urach, nem sobre as novas pesquisas acerca do IDH no país ou da incidência de vírus HIV.

Nada entendo sobre o falecimento de tantos humoristas famosos em 2014.

Não sei o que dizer sobre os conflitos na Ucrânia, sobre os conflitos árabe-israelenses, sobre o ISIS, sobre a reeleição de Evo Morales, sobre a eleição do substituto de Mujica.

Será que podemos jogar o tomate na conta da inflação? Ou o contrário?

Já nem sei mais nada…

Nesse mundo atual, onde, além de processar todas essas informações, as pessoas têm que cuidar da vida, da casa, da família, do trabalho, e ainda precisam achar tempo pra fazer coisas mais prazerosas, como ler, escrever, sair por aí, conhecer gente nova, ajudar o próximo, e aproveitar a natureza, fica difícil saber…

A única coisa que vou levantar aqui, e NÃO SEI se estou certo, é que as pessoas estão falando sobre tudo ultimamente. Mas não com o devido tempo de processar as informações, analisar, enfim, sem ter um argumento minimante sustentável, uma opinião formada!

Com toda essa velocidade, vejo muita gente falando sem confirmar veracidade, falando de assunto que não domina… É todo mundo falando ao mesmo tempo e ninguém ouvindo. Ninguém ouve nada, ninguém escreve nada. É um tal de curtir e compartilhar.

E ficam só nisso.

Igual à proliferação de homenagens ao Chaves….

Assim fica difícil!

Categoria(s): Escrito por Matheus, Estilo de Vida, Sociologia

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