Há uma relação entre o sistema educacional brasileiro e o conflito Israel-Palestina

class room at community centre BASR

Existem algumas coisas evidentes na política no Brasil. Uma delas é a Tríade Religião-Política-Poder. A bancada evangélica do Brasil cresce de maneira substancial e até assustadora. O uso da máquina religiosa elege para o Congresso gente como Eduardo Cunha, Marco Feliciano e a Família Bolsonaro.

Tenho uma fé católica, por uma série de motivos, mas me diria, acima de tudo, um Cristão, principalmente pelo amor e respeito ao próximo. No entanto, discordo de alguns aspectos do protestantismo no Brasil (sobretudo em suas ramificações pentecostais):

- o “abuso” da fé em prol do enriquecimento ilícito;

- rituais repletos de cenografia e “espetacularização”, que incluem centenas de milagres em um minuto e berros estridentes;

- a intolerância religiosa para com outras fés.

Se não há um respeito mínimo a minorias religiosas, entra-se numa guerra infindável, como a israelo-palestina, que nada agrega além de acabar com a vida de seres humanos e tirar de muitos as suas dignidades básica. Uma infinidade de reportagens, artigos e temáticas sobre os conflitos árabe-israelenses e sobre a questão israelo-palestina podem ser encontradas pela web, mas, basicamente, trata-se de um conflito histórico pelo reconhecimento formal dos estados de Israel (seguidores do judaísmo) e da Palestina (seguidores do Islã).

Obviamente, não somente a bancada religiosa e as indicações de voto dos pastores para seus fiéis representam a relação Política-Religião em nossa história. O Papa tem poder de Chefe de Estado. A Igreja Católica já praticou absurdos em nome do poder.

O que talvez não se saiba, no entanto, é que a relação entre religião e política no Brasil deriva de muito tempo atrás: todos sabem que tivemos uma colonização católica. Acontece que a educação trazida pela religião católica (Brasil, Portugal, Itália, Espanha) era voltada às elites (Colégios Católicos particulares são um exemplo), no intuito de galgar maiores benefícios financeiros. Enquanto isso, os protestantes tinham por intuito central a educação de todos, a partir de outra visão, a de que todo o povo deveria ter conhecimento para que pudesse ler a Bíblia.

Então, meus amigos. Além dos inúmeros atrasos político-históricos do Brasil na questão da educação (como abordado aqui), certamente a catequização educadora que tivemos também se reflete na situação educacional atual. A elevada qualidade da educação protestante, possivelmente, faz com que cidadãos de Suécia, Alemanha e Reino Unido tenham maior interesse em cobrar por serviços públicos de maior qualidade, e talvez isso, juntamente com outros aspectos culturais também citados aqui, ajude a explicar os elevados Índices de Desenvolvimento Humano destes.

Como se pode depreender, há aspectos positivos em cada religião, em cada cultura, em cada modelo de sociedade. Domenico de Mais apresenta-nos esta ideia em “O Futuro Chegou” (que confesso ainda não ter terminado de ler). O mais importante, caríssimos, é compreender que todas as religiões devem conviver pacificamente (o que infelizmente não acontece em Israel) e, se possível, agregando aspectos positivos das demais. Pois todas, em sua essência, têm algo de bom.

Por isso, além de ser minimamente necessário respeitar o outro, ater-se a fundamentalismos e ideologias sem conhecer o mínimo de seu “inimigo”, além de potencialmente perigoso, impede a melhoria na qualidade de vida de todos. Eu, católico assumido e crítico do pentecostalismo, reconheço a importância do modelo de educação adotado pelas religiões protestantes. Talvez uma das frases mais marcantes do Papa Francisco resuma essa ideia: “Precisamos de pontes, não de muros”.

Categoria(s): Escrito por Matheus, Serviços Públicos, Sociologia

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