O retorno de Jesus

Old City from the Mount of the Olives

Seja pela sua fé, pela história, pelos círculos sociais em que vivemos, poucos não sabem que as escrituras pregam o retorno de Jesus Cristo ao mundo. OK, pode ser que seguidores do Islã ou de religiões orientais não tenham conhecimento, mas também não acho que eles me leem. Certamente os cristãos por vezes se questionam: “quando é que Cristo volta?”. Ao analisarmos a questão do tempo, pode ser que demore: cientistas não têm certeza sobre quando surgiu o universo, mas parece existir um consenso de que este tem uma idade entre 10 e 20 bilhões de anos. A Terra, estima-se, teria aproximadamente 4,5 bilhões de anos. A partir destas informações, notamos que Jesus “veio ontem”. No entanto, quando comparamos com a história da humanidade (algo entre 5 mil e 12 mil anos), Jesus já veio há algum tempo.

Com as redes sociais e a informação “a um clique”, o mundo atual diferencia-se muito daquele dos tempos de Cristo. Boas ou ruins, as informações estão disponíveis. Dúvidas podem ser rapidamente sanadas por meio de uma consulta no Google. Pessoas se automedicam, tanto com remédios como psicologicamente. Grupos terroristas se espalham. Boatos (e verdades) se espalham rapidamente. Tudo nos chega, e muitas vezes as informações não são filtradas.

Alguns aprenderam as lições de Cristo: hoje nos solidarizamos mais com a questão dos refugiados, com a questão da África, somos mais tolerantes em relação ao diferente, buscamos uma vida mais ecológica e menos dependente do dinheiro. Por outro lado, muitos parecem não ter aprendido nada. Refugiados, imigrantes, negros, praticantes de religiões diferentes, homossexuais, pobres, não recebem dos seres humanos o amor que Jesus nos ensinou a dar. O discurso religioso, inclusive, é usado para legitimar o mal e o ódio.

Como dizem as escrituras, Jesus voltará algum dia. E se fosse hoje? Vejamos como seria.

Pessoas mais novas, sobretudo os adolescentes, acompanhariam, ao vivo, em streaming, pelas redes sociais, como o Facebook, ou com os comentários de vloggers de sucesso.

Muitas redes de cinema aproveitariam a oportunidade para vender seus pacotes de transmissão ao vivo, em 4K, 3D, e outras siglas mais.

Boates aproveitariam a demanda de jovens baladeiros para criar eventos “open bar” com DJs, shows e muita bebida. Com pausa para os discursos de Cristo.

Alguns empresários reclamariam do momento, pois prefeririam ter todos os seus funcionários concentrados. Muitos, inclusive, trabalhariam enquanto Jesus falasse.

Líderes religiosos de todo o mundo se manifestariam. Padres, pastores, rabinos e muçulmanos de bem glorificariam aquele momento, ressaltariam sua importância. Os líderes de má índole aproveitariam o momento para se enriquecer, para exaltarem a si mesmos ou para pregar o ódio contra excluídos ou outras religiões.

No local em que Jesus aparecesse, parte do mundo estaria reunida. Todos os chefes de estado ali estariam, alguns para ouvi-lo falar, outros apenas para “não ficarem mal na fita”. Em casas e locais próximos, algumas pessoas “venderiam” ingressos para o evento.

Os pátios de aeroportos ficariam lotados com comitivas de chefes de estados, a televisão estaria cobrindo sua vinda em tempo integral (nunca um comercial houvera sido tão caro).

O problema disso tudo é que, se de fato todo o descrito ocorresse, a vinda de Jesus perderia seu sentido. Jesus prega o amor ao próximo e, acima de tudo, um mundo de compartilhamento e união. E fatos descritos neste texto caracterizam o mundo atual (capitalista, individualista, tecnologista e hedonista), que em muito anda no sentido oposto ao que foi ensinado por Deus.

Não possuo qualquer capacidade de distinguir se o retorno de Jesus está próximo ou distante, apesar de fiéis de muitas religiões afirmarem que tal data estaria se aproximando. Trago neste espaço, no entanto, uma reflexão: se o retorno de Jesus está mesmo próximo, seria pelas mesmas razões que tais religiosos alegam? Ou seria para romper com os preconceitos do fundamentalismo religioso? Há muita coisa errada hoje no mundo, mas será que alguns grupos religiosos aceitariam a vinda de Jesus como uma missão para romper com a intolerância, com o racismo, com o ódio e o preconceito? Bom, do jeito que as coisas andam, parece que alguns não vão ouvir Jesus, de novo.

Categoria(s): Escrito por Matheus, Estilo de Vida, Sociologia

Loading Disqus Comments ...
Loading Facebook Comments ...