Um guia para leigos (parte 1): PT e PSDB

fhclula

As opiniões políticas que emito neste espaço, geralmente, acabam sendo lidas por pessoas com uma orientação política mais próxima à minha (que costumam seguir meu blog), assim como as publicações no Face são “filtradas” de acordo com o que cada um está acostumado a ler/curtir. Neste momento, no entanto, pretendo tentar trazer para vocês as raízes histórico-políticas de nosso país que culminaram na chegada de PT e PSDB ao poder e na rivalidade entre os dois partidos. De antemão, peço desculpas aos amigos historiadores por eventuais erros e omissões.

Para que se compreenda qualquer contexto num cenário mundial, seria necessário voltar alguns anos na história. Poderia analisar a partir da chegada da Corte de Portugal ao Brasil, a partir da Velha República ou a partir da Era Vargas, mas começarei a análise a partir dos tempos da ditadura militar…

Ditadura militar

Toda a polarização PT-PSDB que cada vez mais separa o país em nada reflete a semelhança de ambos os partidos quando de sua criação. Como todos devem saber, entre os anos de 1964 e 1985, o Brasil viveu uma ditadura militar que, principalmente após o AI-5, levou à prisão e ao exílio inúmeros artistas e ativistas políticos. Manifestando-se contra um sistema antidemocrático, surgiam inúmeras forças progressistas que iriam posteriormente despontar no cenário político nacional: FHC, Serra, Lula, Gabeira, Dilma, Brizola, dentre outros.

Anos 80, democracia e a hiperinflação

Ao longo dos anos 80, a ditadura começava a enfraquecer e se preparava um terreno para a volta da democracia. Nesse contexto, surge em 1980 o Partido dos Trabalhadores, tendo como origem, sobretudo, os movimentos sindicais trabalhistas e os teólogos da Libertação, ala mais progressista da Igreja Católica, que também foi perseguida durante a ditadura militar.

A ditadura finalmente se encerrou em 1985, ainda que Sarney não tenha sido eleito pelo voto popular. A crise econômica, no entanto, se agravou e o povo demandava serviços públicos de maior qualidade. Neste momento, outros dois momentos devem ter sua importância destacada: o movimento sanitarista, que luta por melhorias em setores como saúde e saneamento, e o surgimento, em 1988, do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), cujos princípios se constituiriam na luta por um Estado de Bem Estar Social no país.

Juntamente com outros atores daquele momento (como Sarney e Ulysses Guimarães), PT, PSDB e o movimento sanitarista conseguiram aprovar em 1988 a Constituição Federal, um amplo programa que incluía direitos civis e sociais inéditos até então (como a criação de um sistema de saúde amplo e universal, combinado a direitos previdenciários e de assistência social, além de obrigações de investimento mínimo em políticas sociais). Um pequeno passo para um humilde Estado de Bem Estar Social no país.

Anos 90 em diante

PT e PSDB, portanto, tiveram raízes semelhantes, em classes sociais distintas. Um pouco de sua caminhada juntos pode ser vista aqui. Disputas pelo poder, rachas internos, a globalização e o discurso neoliberal, envolvimento com outros atores, dentre outros, acabaram colocando os partidos em posições opostas.

Ambos erraram: o PT, num primeiro momento, quando não quis se aliar ao PSDB quando este ainda tinha seus ideais primeiros. O PSDB, que com o poder em mãos passou de partido do bem-estar Social a um partido neoliberal (na economia), ainda que se mantivesse progressista em alguns temas. Com o crescimento da direita, nos anos mais recentes, o PSDB acabou tendendo mais ao conservadorismo. É inegável também que o PT cometeu erros graves nas campanhas presidenciais, ao fomentar o clima “nós contra eles”.

Inúmeros políticos viveram de perto esse processo de separação. Para Eduardo Suplicy, FHC e Lula tinham dificuldades de lidar, um com o protagonismo do outro. Para Ciro Gomes, esse processo começou em algumas disputas paulistas e acabou se espalhando pelo país.

A grande verdade é que o país sofreu muito com essa rivalidade. Se ambos os partidos tivessem se aproveitado de algumas de suas convergências, estaríamos bem melhores hoje.

Categoria(s): Escrito por Matheus, Política, Sociologia

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