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Por que Dilma caiu? Marx estava certo!

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Certamente todos nós já passamos por aqueles momentos em que “a ficha demora para cair”. Assim me sinto com a votação do afastamento de Dilma, no Senado. Dilma caiu. Há muitas explicações razoáveis para sua queda: inabilidade política da presidenta, casos de corrupção, agravamento da crise econômica, esgotamento do ganha-ganha do modelo lulo-petista, síndrome de mau perdedor que assolou a oposição, lobbies de petroleiras internacionais, entre outros.

Enfim, a queda de Dilma tem infinitas variáveis. Mas, pode ser analisada, também, sob o ponto de vista da Economia. Neste sentido, cabe analisar o governo Dilma sob uma perspectiva marxista, analisando-se a renda do capital e do trabalho nos últimos anos e o quanto isso desencadeou a luta de classes que se exacerba na sociedade.

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Categoria(s): Economia, Escrito por Matheus

Impeachment do processo civilizatório

(por Eduardo Fagnani*, para a Le Monde Diplomatique)

*professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit – Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho.

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O objetivo de construir uma sociedade civilizada, democrática e socialmente justa deveria ser um dos núcleos de um projeto nacional. A Constituição de 1988 representa um marco do processo civilizatório do país. Pela primeira vez em mais de cinco séculos, ela assegurou formalmente a cidadania plena (direitos civis, políticos e sociais) para todos os brasileiros. O novo ciclo democrático inaugurado por ela, associado aos avanços sociais obtidos na década passada, contribuiu para a melhoria do padrão de vida da população, especialmente dos mais pobres.

Não obstante, o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do mundo. Essa marca tem raízes históricas ditadas pela industrialização tardia, pela curta e descontinuada experiência democrática e, especialmente, pelo longo passado escravocrata, cujo legado foi uma massa de analfabetos sem cidadania. Em pleno século XXI, o país ainda não foi capaz sequer de enfrentar desigualdades históricas herdadas de mais de três séculos de escravidão. Observe-se que, segundo estudo da ONU, a pobreza no Brasil tem cor: mais de 70% das pessoas vivendo em extrema pobreza no país são negras; 64% delas não completam a educação básica; 80% dos analfabetos brasileiros são negros; os salários médios dos negros são 2,4 vezes mais baixos que o dos brancos. No Rio de Janeiro, 80% das vítimas de homicídios resultantes de intervenções policiais são negras. A taxa de assassinatos de mulheres também tem clara dimensão racial. Entre 2003 e 2013, o assassinato de mulheres brancas caiu 10%; no mesmo período, o de negras subiu 54%.(1)

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