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Dados: porte de armas e desigualdade têm relação direta com a violência

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Vamos esclarecer algumas coisas: é óbvio que a estatística é cruel. Se a estatística diz que nos países com renda mais bem distribuída a violência é menor, mas você mora na Islândia e perdeu seu único filho por assassinato, a estatística foi cruel contigo.

Essa mesma explicação vale para os “exemplos de pessoas que mesmo órfãs e sem ter onde morar viraram funcionários públicos, médicos, engenheiros ou cientistas sociais”. São exemplos admiráveis e louváveis. Mas são raros e não é meu intuito me aprofundar nessa questão.

Mas a estatística, quando analisa todo um país ou local em específico, é inquestionável. E aí está o cerne da questão: a pessoa pode ter posicionamento político, religioso ou econômico diferente do outro. Mas ela não pode questionar os dados, que muitas vezes são usados como argumentos para uma série de questões.

Com os inaceitáveis casos de mortes recentes, no Rio e em São Paulo, os arrastões cariocas, as chacinas paulistas, dentre outros, a discussão ganha ainda mais relevância. Não que roubar seja certo ou que as pessoas que cometeram os delitos sejam santas, mas que tal se nos perguntássemos: por que existe a violência? Os dados oficiais dos gráficos que estou postando explicam um pouco disso:

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Bengalas da ilusão

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Cresci em cidade pequena, mas era comum que viesse à cidade grande (mais precisamente ao Rio de Janeiro) pelo menos uma vez por mês. E me encantava com o que via, sobretudo as paisagens. Hoje, após alguns anos morando em Niterói, percebo que a beleza natural, a infinidade de espaços abertos, as possibilidades culturais e o dinamismo econômico atual são como bengalas que criam uma ilusão de que estamos vivendo bem. Mas a violência assusta.

Ainda que, de fato, os níveis de homicídios per capita no Rio de Janeiro entre 2008 e 2012 sejam os mesmos de minha cidade natal, Miguel Pereira (que parece ser muito mais tranquila), e que a sensação de insegurança se agrave com a cobertura midiática da temática “segurança pública/violência”, espanta a quantidade de notícias estarrecedoras de morte de policiais, morte de civis, morte de crianças, abordagens policiais inadequadas, tiro, porrada, bomba e balas perdidas.

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Sobre bandidos, vida e oportunidades

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Se há um debate bastante amplo neste país, este engloba a violência e o tratamento que deve ser dado àqueles que cometem delitos. No Rio de Janeiro, não é raro ouvir casos de bandidos, traficantes, supostos bandidos e moradores da favela sendo tratados de maneira brutal pela polícia. Diversos lamentáveis casos recentes (noticiados) podem ser lembrados: o do adolescente que foi acorrentado a um poste com uma tranca de ferro e cruelmente agredido por populares, o caso de 6 adolescentes inocentes que foram brutalmente mortos pela polícia como vingança à morte de uma policial em alguma operação que não me lembro, a morte de vários jovens numa operação na favela da Maré e o caso de tortura e desaparecimento do pedreiro Amarildo, além dos casos de DG, Cláudia e do menino assassinado no Sumaré.

Antes que me acusem de estar defendendo apenas um lado, respondo-lhes que não. Estou criticando o sistema: o ódio e a repressão culminam em mais violência e ódio contra a nossa polícia, resultando também na morte de muitos policiais.

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